7 índices

 

É o INPC um Bom Índice? – Comparativo com 7 índices
Autor: Rodolfo Huhn – Participante

Novo Plano VIDA PETROBRAS: É o INPC um Bom Índice?

A PETROS, na pág. 8 do seu Jornal de Junho de 2001, apresenta o artigo “Qual o melhor índice para o reajuste das aposentadorias?“. Como subtítulo acrescenta: Entre os principais índices que medem os preços ao consumidor, o INPC foi o que apresentou o melhor desempenho acumulado nos últimos doze meses.

Vamos fazer um esforço e tentar interpretar o artigo. Vamos, também, dentro deste exercício, procurar comentar o que entendemos cabível.

Diz a PETROS:

O INPC, índice que será utilizado para a correção das aposentadorias no novo plano de Contribuição Definida da Petros, teve variação superior a diversos outros indicadores nos últimos 12 meses, de junho de 2000 a maio de 2001.

Nesse período, a variação acumulada do INPC foi de 7,73%. No mesmo período, o acumulado do IPCA foi de 7,04%; o do IPC do IGP-DI foi de 6.89%; e o do IPC da Fipe foi de 5,52%.

 

A utilização do período de um ano para comparação estatística
O primeiro ponto a abordar é a utilização do período de um ano para se fazer uma comparação de tendências entre índices.

Nenhuma curva de tendência pode se resumir a um período de somente um ano. Seria a mesma coisa que afirmar que investir em carne bovina para exportação é e será um excelente negócio, pois o valor subiu bastante neste último ano. Tal fato decorre da doença chamada de “mal da vaca louca”, e não de uma tendência histórica. Tão logo este problema seja controlado pela Europa o valor tenderá a decrescer e voltar ao seu nível normal.

Se analisarmos uma tabela comparativa entre os índices ICV (DIEESE), IGP-DI (FGV), IGP-M (FGV), INCC ( FGV), INPC (IBGE), IPC (FIPE) e IPCA (IBGE), verificamos o seguinte:

ÍNDICE Período (Valores em %)
1995 1996 1997 1998 1999 2000
ICV (DIEESE) 46,19 13,18 6,11 0,47 9,57 7,21
INCC (FGV) 31,48 9,56 6,81 2,76 9,20 7,66
IGP-M (FGV) 15,24 9,19 7,74 1,79 20,10 9,95
IGP-DI (FGV) 14,77 9,33 7,48 1,71 19,99 9,80
IPCA (IBGE) 22,41 9,56 5,22 1,66 8,94 5,97
INPC (IBGE) 21,98 9,12 4,34 2,49 8,43 5,27
IPC (FIPE) 23,17 10,04 4,83 -1,79 8,64 4,38

 

Código de Cores melhor ótimo bom médio fraco ruim pior

Verificamos que no período de 1995 a 2000 (últimos 6 anos):
  • o INPC (IBGE) foi, em três anos (1996, 1997, 1999), o pior índice;
  • o INPC (IBGE) foi fraco em 1995, ruim em 2000 e bom em 1998;

  • o IPC (FIPE) foi, em dois anos (1998, 2000), o pior;
  • o IPC (FIPE) foi fraco em 1995 e ruim em 1996, 1997, 1999;

  • o IPCA (IBGE) foi fraco em três anos ( 1997, 1998, 1999);
  • o IPCA (IBGE) foi médio em 1995 e 2000, e bom em 1996;

  • o IGP-DI (FGV) foi o pior em 1995;
  • o IGP-DI (FGV) foi ótimo em 1997, 1999 e 2000, médio em 1998 e fraco em 1996;

  • o IGP-M (FGV) foi em três anos (1997, 1999, 2000) o melhor índice;
  • o IGP-M (FGV) foi ótimo em 1998, ruim em 1995 e 1996;

  • o INCC (FGV) foi o melhor em 1998 e ótimo em 1995;
  • o INCC (FGV) foi bom em 1996, 1997 e 2000, e médio em 1999;

  • o ICV (DIEESE) foi em dois anos (1995, 1996) o melhor;
  • o ICV (DIEESE) foi médio em 1997, 1999 e 2000, e ruim em 1998.
Portanto, usando-se um período de seis anos (e não tão somente de um ano como a PETROS apresenta) temos:

  1. Seja analisando atentamente as observações acima ou mesmo procurando-se uma comparação através do código de cores, não se pode concluir qual seria o melhor índice.
  2. Mas, pode-se facilmente concluir que, sem qualquer dúvida, o INPC não é o melhor.

 

Vamos agora observar e analisar a tabela comparativa entre os índices no período de Jun/00 à Mai/01, ou seja, um ano:

 

ÍNDICE Período (Valores em %)
Jun/00 Jul/00 Ago/00 Set/00 Out/00 Nov/00 Dez/00 Jan/01 Fev/01 Mar/01 Abr/01 Mai/01 Ano
ICV (DIEESE) 0,15 2,13 1,31 0,41 0,00 0,34 0,82 0,83 0,23 0,48 0,39 0,22 7,54
INCC (FGV) 0,73 0,30 0,39 0,26 0,33 0,41 0,64 0,58 0,34 0,27 0,36 2,11 6,52
IGP-M (FGV) 0,85 1,57 2,39 1,16 0,38 0,29 0,63 0,62 0,23 0,56 1,00 0,86 11,04
IGP-DI (FGV) 0,93 2,26 1,82 0,69 0,37 0,39 0,76 0,49 0,34 0,80 1,13 0,44 10,91
IPCA (IBGE) 0,23 1,61 1,31 0,23 0,14 0,32 0,59 0,57 0,46 0,38 0.58 0,41 7,04
INPC (IBGE) 0,3 1,39 1,21 0,43 0,16 0,29 0,55 0,77 0,49 0,48 0,84 0,57 7,73
IPC (FIPE) 0,18 1,40 1,55 0,27 0,01 -0,05 0,26 0,38 0,11 0,51 0,61 0,17 5,52

 

Código de Cores melhor ótimo bom médio fraco ruim pior

 

Nesta nova comparação, usando o mesmo período da PETROS, de Jun/00 a Mai/01, porém incluindo outros índices, pode-se destacar que:

  • dois índices, IGP-M (FGV), com 11,04 aa., e IGP-DI (FGV), com 10,91 aa., apresentam melhor resultado do que o INPC;
  • o INPC vem em terceiro lugar com 7,73 aa. seguido de perto pelo ICV (DIEESE), 7,53 aa. e pelo IPCA (IBGE), 7,04 aa.
  • o INCC (FGV) e IPC (FIPE) apresentam um fraco valor de, respectivamente, 6,52 aa. e 5,52 aa.;
  • Novamente pode-se concluir que o INPC não é o melhor.

A coerência incoerente
Continua a PETROS em seu artigo:

Aspiração antiga – A garantia de correção anual do valor das aposentadorias é uma antiga aspiração dos Participantes aposentados da Petros que será atendida pelo novo plano de Contribuição Definida. Com a utilização do INPC, o poder de compra dos aposentados será sempre preservado.
Ao adotar o INPC para corrigir o valor das aposentadorias no novo plano de Contribuição Definida, a Petros está sendo coerente com sua metodologia de trabalho, uma vez que a meta atuarial é o INPC mais 6%. Não havia, portanto, como adotar um índice diferente para calcular o valor do reajuste das aposentadorias.
(nossos grifos)


Como afirmar que o poder de compra vai ser conservado com a adoção do INPC?

Se consultarmos a tabela “Comparação dos Principais Índices Econômicos Usualmente Empregados para Atualização de Contratos“, que abrange o período de Jan/95 a Mai/01, verificamos que o percentual acumulado é o indicado no quadro ao lado.

Ou seja, afirmar, repetitivamente, que o INPC é uma ótima alternativa, ou induzir os mantenedores benefeciários a acreditar que é a melhor opção, como faz a PETROS, é pelo menos uma falácia, um ardil, uma divulgação concebida de forma parcial e tendenciosa. Não se pode acreditar que seja o contrário.

ÍNDICE Jan/95 a Mai/01
ICV (DIEESE) 111,70
INCC (FGV) 92,75
IGP-M (FGV) 88,26
IGP-DI (FGV) 86,58
IPCA (IBGE) 69,62
INPC (IBGE) 67,66
IPC (FIPE) 61,07


Nestes 6 anos e 5 meses (período analisado), entre os sete índices utilizados – os mais comuns empregados em contratos, quatro tiveram um resultado significativamente melhor do que o INPC. A saber: ICV (DIEESE) – 111,70%; INCC (FGV) – 92,75%; IGP-M (FGV) – 88,26%; IGP-DI (FGV) – 86,58%.

Um (IPCA/IBGE – 69,62%) teve um desempenho um pouco melhor do que o INPC/IBGE (67,66%) e um outro (IPC/FIPE – 61,07%) um resultado ligeiramente inferior.

Novamente é de se concluir que: o INPC não é o melhor índice, e, neste período, o INPC foi um dos piores índices.

Neste perído, de Jan/00 à Mai/01, qual seria a perda ou o ganho comparativo ao INPC, tendo como base este índice que a PETROS está impingindo. Vejamos a tabela ao lado.

Assim, se você tivesse aderido ao Plano VIDA PETROBRAS em Jan/00 e estivesse recebendo R$ 1000,00 por mês, caso o índice tivesse sido outro, por exemplo, o IGP-M ao invés do INPC, você estaria recebendo R$1.304,50.

  Valores em %
ÍNDICE Jan/95 a Mai/01 Perda/Ganho
ICV (DIEESE) 111,70 + 65,90
INCC (FGV) 92,75 + 37,08
IGP-M (FGV) 88,26 + 30,45
IGP-DI (FGV) 86,58 + 27,96
IPCA (IBGE) 69,62 + 2,90
INPC (IBGE) 67,66 0,00
IPC (FIPE) 61,07 – 9,94

Faça você mesmo as suas contas e tire as suas conclusões.

A garantia deturbada
No plano ao qual aderi em 1974, a correção da pensão se faria com base na variação do salário da função equivalente a que exercia. Nunca tive dúvidas que esta é a garantia e não “… uma antiga aspiração dos Participantes aposentados da Petros que será atendida pelo novo plano de Contribuição Definida.”

Muito pelo contrário. Apenas basta que paguem aos aposentados o valor correto, calculado com base no real salário que percebem aqueles que hoje estão trabalhando na função que desempenhávamos. O que ocorre, entretanto, é o pagamento de valores como: gratificações por produtividade, bônus, etc. e que, segundo as mantenedoras, não são considerados como salários. Creio não estar exagerando ao afirmar de que se trata de um grande engodo.

Como citado acima, diz a Petros que: “ … está sendo coerente com sua metodologia de trabalho, uma vez que a meta atuarial é o INPC mais 6%. Não havia, portanto, como adotar um índice diferente para calcular o valor do reajuste das aposentadorias.” (nossos grifos)
Nesta assertiva a PETROS confessa que não poderia adotar outro índice, pois este é o empregado nos cálculos atuariais. Ou seja, declara que nenhum outro índice foi em algum momento cogitado. Daí porque tentar vender a idéia de que o INPC é o melhor índice, e não em razão de se ter avaliado de forma isenta e técnica outros índices, muito menos estabelecer alguma fórmula que de fato procurasse, razoavelmente, um fator de correção que viesse a garantir o poder de compra dos beneficiários.

Creio que não estarei digressionando ao afirmar que não há qualquer esforço maior, por parte dos administradores da PETROS, em obter como resultado (objetivo atuarial) o INPC mais 6% aa. Se como pessoa física e de recursos extremamente limitados, qualquer um consegue este resultado ao aplicar em fundos como, atualmente, RF e DI, para que necessitamos de uma estrutura administrativa complexa e muito bem paga, com direito a Presidente, Diretores, Conselhos, Gerentes, etc? Não seria mais eficaz termos apenas uma única pessoa com a responsabilidade de aplicar todos os recursos em Fundos como os citados? Talvez o resultado fosse melhor …
Ou esta estrutura é necessária para diluir responsabilidades e ensejar aplicações classificadas pelo menos de suspeitas com relação à compra de ações de “certas” empresas, títulos “micados”, e empreendimentos no mínimo de “alto risco”? Mas isto agora já é outro tema …

Companheiros, a questão está encerrada. A PETROS já definiu há muito tempo. A única dificuldade é convencer os aposentados. Mas, estes já cansados, muitos ainda acreditando na mística “PETROBRAS”, não podem ou não querem acreditar que muita coisa mudou e que aquela PETROBRAS que ajudamos a construir nada tem a haver com a atual.

Infere-se, pois, que:

  • a PETROS está com sérios problemas, daí a necessidade urgente de arranjar uma saída que não venha a piorar mais a situação;
  • a necessidade de impor um Novo PLANO PETROBRAS VIDA nada mais visa do que a busca de compor interesses das mantenedoras e da PETROS e, também, interesses pessoais;
  • os beneficiários (aposentados e os que estão para se aposentar) ficam em último plano; o objetivo é absolutamente específico;
  • ao invés de desrespeitar, quebrar, violentar, um contrato firmado, que cumprimos e continuamos a cumprir com as nossas contribuições mensais, deveria ter a PETROS, no passado, tido a preocupação de ser uma administradora de fundos mais eficaz, de fundos que lhe foram confiados e não doados.

A dança dos índices
Continua o artigo do Jornal da PETROS:

Dança dos índices – A inflação é medida por diversos índices elaborados por várias instituições. Embora os métodos de cálculo, os períodos de coletas de preços e os demais fatores utilizados na composição desses índices sejam diferentes, todos acabam tendo resultados muito semelhantes. Em alguns momentos, alguns têm variação superior à dos outros. Em outros períodos, a situação se inverte. Portanto, não há um índice que esteja sempre “ganhando” dos demais.

É evidente que assim seja, porém, alguns índices pela maneira como são levantados, pela credibilidade das instituições que são responsáveis pelo levantamento, pela isenção ou menor poder de ingerência/influência do governo, são mais confiáveis e representativos do que outros.

Parece mais ou menos óbvio que um índice levantado por uma instituição pública não pode ser tão confiável como um outro que não possua esta vinculação … mormente no Brasil.

Por outro lado, afirmar que: “Embora os métodos de cálculo, os períodos de coletas de preços e os demais fatores utilizados na composição desses índices sejam diferentes, todos acabam tendo resultados muito semelhantes. é uma falácia. Como ter credibilidade uma instituição que declara isto no seu (nosso!) Jornal da PETROS? Vimos e demonstramos o contrário. Consulte qualquer técnico isento a respeito do assunto, você irá saber que não é bem assim. E, apenas para argumentar, se assim fosse, porque não adotar um outro índice uma outra fórmula? São questões que a PETROS jamais se propôs a responder e discutir com aqueles que contribuíram e continuam contribuindo na esperança de que aderiram a um contrato sério, patrocinado por uma empresa séria, e para qual, mensalmente, pagaram durante décadas.

Outro ponto de destaque é saber-se quais os critérios utilizados para o cálculo de um determinado índice. Com este fim colocamos os conceitos dos principais índices neste Site em “Índices Econômicos: CONCEITOS”.

O INPC “mede a variação do custo de vida das famílias com rendimento assalariado mensal de 1 a 8 salários mínimos”. O INPC é elaborado pelo IBGE. Não sei como vocês pensam …, mas sob o aspecto puramente técnico não creio que seja um índice que vá ao encontro de nossas expectativas.

Finalizando
Depois de tudo o que foi exposto, se alguém acha que o INPC é um índice adequado, continue a ler o resto do artigo do Jornal da PETROS, de junho de 2001. Há uma “caixa” onde mais informações são apresentadas para deleite desses “convertidos”.

 

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