PGBLs não conseguem superar a rentabilidade de planos tradicionais desde 1999 – Artigo de Carolina Mandl apresenta a opinião de seis especialistas sobre os PGBLs e os tradicionais (BD). Fonte: FSP, 03/Setembro/01

 
Documento: PGBLs não conseguem superar a rentabilidade de planos tradicionais desde 1999
Fonte: Folha de S. Paulo – Aposentadoria – 03/09/01
Fonte: Folha de São Paulo – APOSENTADORIA – Pág. B8 – 03/09/01

APOSENTADORIA

PGBLs não conseguem superar a rentabilidade de planos tradicionais desde 1999

Veja se hora de mudar de plano
CAROLINA MANDL – Free-lance para a FOLHA

Se sua aposentadoria está engordando em um plano de previdência tradicional, e o gerente do banco quer lhe empurrar um PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre), é bom pensar duas vezes antes de decidir trocar de aplicação.

Dos seis especialistas em previdência consultados pela Folha, cinco recomendaram prudência na migração e a desaconselham para quem está a menos de cinco anos de vestir o pijama.

A diferença entre os dois produtos está na garantia de rentabilidade. Os planos tradicionais oferecem uma valorização fixa correspondente, em geral, ao IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado) mais 6% de juros ao ano.

Repassam também um percentual da rentabilidade obtida com a aplicação dos recursos do investidor no mercado. Já os PGBLs prometem que será repassado o resultado integral da aplicação, seja um lucro seja um prejuízo.

“Quem tem dinheiro na previdência prefere a garantia de um ganho fixo a ficar com a incerteza de um dia ter uma rentabilidade positiva e embolsar tudo”, diz Carlos Calhado, diretor de previdência da Porto Seguro.

A comparação da rentabilidade média entre os dois produtos desde 1999 não é favorável à migração. Em nenhum momento, os PGBLs superaram o IGP-M mais 6% ao ano (veja tabela ao lado).

Neste ano, até julho, os planos tradicionais acumulavam 10,07% de valorização, enquanto os PGBLs e os Fapis (Fundos de Aposentadoria Programada Individual, gêmeos dos PGBLs) renda fixa tiveram uma rentabilidade de 7,1%.

A única modalidade de PGBL e de Fapi que conseguiu superar o plano tradicional foi a cambial, que deixou a aposentadoria de quem investiu nela 32,38% maior, em média.

Esse fator é apontado pelos especialistas como atípico e reversível no longo prazo se o dólar recuar. Mas, de acordo com Fuad Nomam, presidente da Brasilprev, acima de tudo deve-se considerar o quanto de risco você está disposto a correr para ter essa chance de ganhar mais.

Outra desvantagem apontada por Calhado, da Porto Seguro, para a migração é a cobrança de taxa de administração no PGBL, que vai passar a incidir sobre todo o capital que foi acumulado em um plano tradicional. O plano tradicional só cobra uma taxa de carregamento, que incide sobre cada aporte feito e não onera a poupança acumulada.

Segundo Pedro Forato, gestor de investimentos da BNL Asset Management, essa vantagem do plano tradicional pode ser uma ilusão. Segundo ele, o repasse não integral de rentabilidade para o cliente, nesses planos, já é uma taxa de administração.

De acordo com Toni Lotar, diretor de previdência da Sul América, deve-se levar em conta também a tábua atuarial (cálculo do beneficio a ser pago feito com base em dados sobre estimativa de vida) usada por cada plano.

As tábuas usadas pelos planos tradicionais são mais antigas do que as do PGBL. Os cálculos velhos apostavam em uma expectativa de vida 30% menor e por isso os planos tradicionais ainda dão uma renda maior.

“Mas, se o PGBL obtiver uma rentabilidade maior no mercado, essa diferença poderá ser anulada”, pondera Lotar.

O investidor também deve prestar atenção à saúde financeira dos planos tradicionais. Oferecer IGP-M mais 6% ao ano e rendas vitalícias mais gordas pode siga ficar um risco para a instituição. “Se ela quebrar, o cliente vai ter rezar para sobrar algum dinheiro para ele”, diz Valter Hime, vice-presidente da Real Seguros.

Hime alerta para a possibilidade de o investidor ficar exposto aplicações de maior risco que gestor irá fazer para tentar garantir a rentabilidade mínima prometida.

“No momento em que se promete IGP-M mais 6% ao ano, o gestor decide ser agressivo à revelia do cliente”, diz Hime.

E por causa disso que o engenheiro Jurandir Soares, 48, não sabe se deve transferir seu dinheiro do PGBL para o tradicional. “Acho que a rentabilidade do tradicional é melhor, mas gostaria de saber mais sobre o que o gestor faz com o meu dinheiro”, diz.

F R A S E S

 

Quem tem dinheiro na previdência prefere a garantia de um ganho fixo a ficar com a incerteza de um dia ter uma rentabilidade positiva e embolsar tudo

CARLOS CALHADO – diretor da Porto Seguro

 

Deve-se considerar o quanto de risco o investidor está disposto a correr para ter a chance de ganhar mais

FUAD NORMAN – presidente da Brasilprev

Restam poucos produtos com renda garantida
FREE-LANCE PARA A FOLHAApenas Sul América, Porto Seguro e Brasilprev ainda oferecem planos de previdência com renda garantida.As demais seguradoras só estão vendendo o PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre). Mesmo assim, eles respondem por apenas 30% dos planos vendidos atualmente no mercado.

Apesar de os tradicionais significarem mais risco para a seguradora, que deve garantir uma renda mínima ao investidor, a Sul América resolveu apostar que o público não se daria por satisfeito com os PGBLs.

Dos produtos de aposentadoria vendidos mensalmente pela companhia, 90% são tradicionais. Segundo Toni Lotar, diretor de previdência da Sul América, os planos tradicionais são para a previdência o mesmo que a caderneta é para os investimentos: uma forma de acumular recursos para quem não entende o mercado.

A Porto Seguro seguiu a mesma estratégia e hoje recebe 600 transferências por mês de PGBLs de outras empresas para o tradicional, e 80% dos produtos de previdência vendidos também são os com renda garantida.

Hoje, a carteira das empresas abertas de previdência, que soma cerca de R$ 20 bilhões, é dominada pelos tradicionais. Os PGBLs e os Fapis (Fundos de Aposentadoria Programada Individual) têm cerca de R$ 3,4 bilhões.


 

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